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Haverá um só rebanho e um só pastor

Por Hugo Goes

No Evangelho de Mateus, capítulo 16, versículo 18, a Bíblia narra a fundação de uma Igreja por Jesus Cristo, que disse ao apóstolo Pedro:
"E eu te digo: tu és Pedro (Kepha), e sobre esta mesma pedra (kepha) edificarei a minha Igreja, e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela."
Perceba que a expressão “a minha Igreja” está no singular. Assim, Jesus fundou uma única Igreja. Na hora de sua paixão, Jesus orou ao Pai, pedindo pela unidade de sua Igreja, conforme podemos ler no Evangelho de João 17, 21:
“Que todos sejam um, como tu, ó Pai, estás em mim, e eu em ti. Que eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste.”
São Paulo, em sua carta aos Efésios 4, 2-6,  também fala sobre a necessidade da manutenção da unidade dos cristãos:
2 Com toda humildade e mansidão, e com paciência, suportai-vos uns aos outros no amor, 3 solícitos em guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. 4 Há um só corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. 5 Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, 6 um só Deus e Pai de todos, acima de todos, no meio de todos e em todos.
Mas na Igreja de Cristo, una e única, já desde os primórdios surgiram algumas cisões. Nos séculos posteriores, porém, surgiram dissensões mais amplas. Importantes comunidades separaram-se da plena comunhão da Igreja de Cristo. As principais cisões foram as seguintes:
  1. A primeira rotura significativa e duradoura no Cristianismo histórico sucedeu com a Igreja Assíria do Oriente, após a controvérsia cristológica sobre o nestorianismo em 431 (entretanto, os assírios assinaram uma declaração cristológica de fé em comum com a Igreja católica em 1994). Hoje as Igrejas Católica e Assíria vêem este cisma como um problema basicamente linguístico, devido a problemas na tradução de termos muito delicados e precisos do latim para o aramaico e vice-versa (veja Concílio de Éfeso).
  2. Depois do Concílio de Calcedônia, em 451, ocorreu uma cisão com as Igrejas Síria e Alexandrina (egípcia ou copta), que se separaram em virtude de suas características monofisitas (entretanto, o patricarca sírio Ignatius Zakka I Iwas e o papa João Paulo II assinaram, uma declaração cristológica de fé). Estas igrejas monofisistas são conhecidas como Igrejas não-Calcedonianas (a Ortodoxia Oriental), diferenciando-se da Igreja Ortodoxa por aceitarem apenas os três primeiros concílios ecumênicos.
  3. O Cisma do Oriente, também chamado de Grande Cisma ou Cisma Ocidente-Oriente, foi o cisma que separou definitivamente a Igreja Católica Apostólica em Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa. O cisma ocorreu no século XI, mais especificamente no ano de 1054.
  4. Um cisma enorme derivou-se, não intencionalmente, pela postagem das 95 teses por Martinho Lutero, em Wittenberg, em 31 de Outubro de 1517. Escritos inicialmente como uma série de reclamações a fim de estimular a Igreja católica a reformar-se por si mesma, muito mais do que iniciar uma nova seita, os textos de Lutero, combinados com a obra do teólogo suíço Ulrico Zuínglio e do teólogo francês João Calvino, levaram a uma fissura no cristianismo europeu que criou o que é, hoje em dia, o segundo maior ramo do Cristianismo depois do próprio Catolicismo: o Protestantismo.
O verdadeiro cristão deve orar pela unidade da Igreja de Cristo. Jesus, no Evangelho de  Mateus 18,12-14, diz:
12 Que vos parece? Se algum homem tiver cem ovelhas, e uma delas se desgarrar, não irá pelos montes, deixando as noventa e nove, em busca da que se desgarrou? 13 E, se porventura achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por aquela do que pelas noventa e nove que se não desgarraram. 14 Assim, também, não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca. 
A preocupação com realizar a união diz respeito a toda a Igreja, fiéis e pastores. Mas também se deve ter consciência de que este projeto sagrado da reconciliação de todos os cristãos na unidade duma só e única Igreja de Cristo, ultrapassa as forças e capacidades humanas. Por isso, pomos toda a nossa esperança na oração de Cristo pela Igreja. Devemos confiar no que Jesus disse, em João 10, 16:
“Tenho ainda outras ovelhas, que não são deste redil; também a essas devo conduzir, e elas escutarão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.”

2 comentários:

  1. Mas não podemos nos esquecer do sentido figurado da palavra Filho. O Messias seria considerado como o "Filho de Davi". Na verdade Jesus foi o filho de José e Maria.

    Como é que o Messias podia ser o "Filho de Davi" quando o próprio Davi se referiu a Ele como "meu Senhor" (Marcos 12:35-37)? E como é que Jesus poderia ser o "Filho de Davi" se Davi viveu cerca de 1000 anos antes de Jesus?

    Jesus também foi considerado como o Leão da tribo de Judá, e na verdade Ele se auto-intitulou de “o Cordeiro de Deus".

    Na interpretação bíblica, principalmente no Apocalipse, devemos ser extremamente cuidadosos quanto ao sentido figurado das palavras. Se não analisarmos esta passagem de Apocalipse 12 no contexto bíblico, deixaremos passar, por exemplo a primeira vez que O Senhor se refere à mulher no sentido profético, na cena correspondente da mulher de Gênesis 3:15. (vide Gen. 3:15: "... Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar"). Embora seja verdade que Maria deu à luz Jesus, também é verdade que Jesus, o filho de Davi da tribo de Judá, veio de Israel. Em certo sentido, Israel deu à luz (gerou) Cristo Jesus, ou seja, a igreja cristã teve a sua origem do judaísmo.

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    1. E se caso insistirmos na tentação de colocar a mulher de Apocalipse 12 como sendo Maria, poderemos encarar tudo de modo literal, como por exemplo, o que João realmente quis dizer com o fato de haver comido o livro e este lhe ser na boca doce como mel e no estômago amargo como fel? E se João realmente comeu o livro, como ainda temos o Apocalipse vivo entre nós? O que dizer então no simbólico número 666 e do fato dele ser o número de um homem, ou dos 144.000? Serão estes apenas os únicos salvos?
      O livro do Apocalipse é um livro REPLETO de linguagens simbólicas que não podem, de modo algum, ser interpretadas de modo literal, e principalmente sem antes entendermos as profecias de Daniel que tanto trazem luz e interligam-se grandemente. É necessário que sejam analisados todo o contexto histórico e da própria Bíblia em si para chegarmos a uma interpretação correta do Apocalipse!
      Se entendermos a palavra mulher como Maria corremos o risco de nos esquecermos de que desde o Gênesis, Deus tem mantido um povo “santo, zeloso e de boas obras” desde o começo até o final da história deste mundo, a despeito de qualquer instituição religiosa, não é mesmo?!

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