Dom Andrea Gemma, Bispo e exorcista criticou severamente no Vaticano o fenômeno de Medjugorje o definindo como "um grande engano". Procuramos ouvir também uma opinião favorável sobre Medjugorje. Para tanto entrevistamos o padre Rene Laurentin reconhecido como um dos maiores mariologistas da atualidade.
 
Padre Laurentin, qual a sua resposta a Dom Gemma?
 
Antes de tudo quero enviar um calorosa saudação a Dom Andrea Gemma. Atualmente, para ser franco, eu não tenho falado sobre Medjugorje por que tenho preferido seguir a linha do silêncio escolhida pela Igreja, mas neste caso em especial eu não posso concordar com Dom Gemma. O número de aparições é provavelmente excessivo, mas eu não penso que alguém possa falar em engano satânico. Por outro lado, nós observamos em Medjugorje o mais elevado número de conversões à fé católica: o que Satanás ganharia em trazer de volta tantas almas para Deus? Veja, neste tipo de situação, a prudência é uma obrigação, mas estou convencido que Medjugorje é um fruto do Bem e não do Mal.
 
Dom Gemma também falou sobre interesses e vantagens econômicas dos videntes e seus colaboradores...
 
Esta crítica também não me convence. Não se esqueça que ao redor de cada Santuário religioso existem lojas de souvenirs e em qualquer lugar onde um santo é venerado chegam centenas de carros e surgem estruturas hoteleiras para dar hospedagem aos peregrinos. De acordo com as razões de Dom Gemma deveríamos também dizer que Fátima, Lourdes, Guadalupe e São Giovanni Rotondo são também enganos inspirados por Satanás para enriquecer pessoas? E também, me parece que até a Obra Romana de Peregrinações, diretamente ligada ao Vaticano, organiza viagens a Medjugorje, portanto...
 
Dom Gemma também tem afirmado que a Igreja Católica tem negado a autenticidade das aparições através de dois bispos sucessivos de Mostar.
 
Lamento, mas não concordo. A opinião dos dois bispos devem ser levadas em conta, mas de forma relativa. No presente momento a Santa Sé não tem negado a autenticidade das aparições, mas com a prudência habitual, a Igreja não julga e aguarda por uma certeza posterior e aprofundamento.
 
O Bispo exorcista, que conhece bem o caso Medjugorje, tem enfatizado que o Papa Bento XVI, quando Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, proibiu peregrinações aquele local organizadas por religiosos e sacerdotes.
 
Veja, os documentos assinados pelo cardeal Ratzinger não impedem nenhum religioso ou sacerdote de ir a Medjugorje. A proibição, se ela pode ser definida nestes termos, se refere à participação de Bispos a peregrinações em massa.
 
A sua posição (sobre Medjugorje) é muito semelhante à posição do Servo de Deus João Paulo II, não é?
 
Eu desejo enfatizar o que disse o Papa Polonês : "Eu lamento ter que guiar a Igreja a partir do Vaticano e não a partir de Medjugorje". Isto me parece muito significativo.

Fonte: Artigo de Bruno Volpe, publicado em Queridos Filhos