"Gostaria de dirigir uma saudação aos muçulmanos do mundo inteiro, nossos irmãos, que recentemente celebraram a conclusão do mês do Ramadã".
Assim disse Francisco no Ângelus desse domingo. Ele é o segundo papa, depois de Wojtyla, que chama os muçulmanos de "irmãos", uma denominação que a tradição da linguagem papal reservava aos cristãos.

Mas o papa polonês ampliou a categoria dos "irmãos", nela incluindo os judeus – que ele chamou de "irmãos mais velhos" – e os muçulmanos, com referência à "família de Abraão", isto é, aos pertencentes das três religiões monoteístas que se referem ao Patriarca narrado pelo livro do Gênesis.

A primeira vez que João Paulo II chamou os muçulmanos de "irmãos" foi no dia 10 de dezembro de 1978, quando ele era papa há apenas dois meses:
"Sabemos que a Mãe de Deus é cercada por grande veneração também por parte dos nossos irmãos muçulmanos",
disse João Paulo II durante um apelo pela paz no Líbano. No conjunto do seu pontificado, ele usou esse nome uma dezena de vezes.

Wojtyla foi um inovador em toda a fronteira com o Islã: convidou os muçulmanos a encontros de oração (nas três jornadas de Assis, em 1986, 1993, 2002), e isso também nunca se tinha visto. E reconheceu como menos "conforme ao Evangelho" o método das Cruzadas "para a defesa da fé" (12 de fevereiro 1995). A sua mão estendida ao Islã foi denunciada como uma "cessão" pelo mundo tradicionalista, mas ele não voltou atrás e também foi o primeiro papa a entrar em uma mesquita, em Damasco, em 2001.

Quanto a visitar "santuários" muçulmanos, ele foi superado depois por Bento XVI, que visitou três deles e, na Mesquita Azul de Istambul, "recolheu-se em oração", como ele mesmo contou depois, no dia 6 de dezembro de 2006.

À espera para ver o que o papa Francisco fará com as mesquitas, temos esse primeiro passo de chamar de "irmãos" os seguidores de Maomé. Veremos o que dirão os lefebvrianos e companheiros.

Fonte: Luigi Accattoli, no Corriere della Sera, 12-08-2013.