O homem foi criado por Deus, inocente e puro. Mas caiu. Quando a mão divina o ergueu, pela misericórdia da Redenção, já não era o mesmo. A queda não apenas lhe arrebatara a graça santificante e os dons preternaturais. Desequilibrara-o no próprio funcionamento natural. As paixões se desordenaram, inclinando-o para o mal; turvou-se-lhe a inteligência; enfraqueceu-se-lhe a vontade, agora muitas vezes incapaz de praticar o bem. Mesmo reconduzido à graça, pesam-lhe as consequências da queda. Correspondendo à graça, pode, com algum esforço, manter o equilíbrio, vivendo no bem e na virtude. Tendo sido criado para o Céu, vive desgostoso e insatisfeito na terra, de tal maneira inquieto que só descansa quando descansa em Deus. Dir-se-ia que sente uma misteriosa nostalgia da Casa Paterna, uma como saudade daquelas tardes em que o Senhor descia a passear com ele à fresca do Paraíso (Gn. 3, 8). Na verdade, nunca pôde esquecer que Deus é seu primeiro princípio e seu último fim.

Monsenhor Álvaro Negromonte, no Livro "A Educação dos Filhos".