Só é verdadeiro o ideal que nunca se pode realizar completamente. Porque o ideal é a meta de toda a vida, a razão de ser de todos os grandes esforços, o alento nas canseiras, o conforto nos sofrimentos, a força para as jornadas cotidianas. No dia em que o conseguíssemos, perderíamos o alento, o motivo de lutar, a esperança de melhoras, o próprio desejo de progredir. Cairíamos nas mediocridade, na rotina, quando não no desânimo e no desespero.


Eis porque os ideais próximos ou parciais são interessantes como estímulos transitórios, mas insuficientes. O verdadeiro ideal é para toda a vida, ponto de chegada da existência inteira, trabalho e preocupação contínua obrigando o homem a caminhar para frente, a subir sempre mais, insatisfeito consigo, a procurar uma perfeição cada vez maior. Torna-se assim o centro de gravitação de toda a vida. Revela sempre novas possibilidades, está em contínuo realizar-se, de modo que, por mais que o homem trabalhe e viva, a morte ainda o encontra a meio caminho, tanto ele tinha a fazer ...

Por isso, o ideal deve confundir-se com a própria finalidade da vida humana, abraçando as atividades todas, canalizando-as, dando-lhes sentido e rumo, arrastando o homem todo.

Monsenhor Álvaro Negromonte, no Livro "A Educação dos Filhos".