As paixões têm o seu lugar, e não pequeno, na persecução do ideal. Entendamos bem: na persecução. Na concepção, o trabalho é da inteligência: ela conhece a verdade e fixa o ponto final da atividade do sujeito. Se deixássemos esta tarefa às paixões, teríamos o fanático, e não o homem razoável. Mas é de ver como o fanático é decidido! É que a vontade é mais inclinada a agir sob o impulso quente das paixões que à luz do raciocínio. Se desprezarmos, em questão de ideal, a energia passional, corremos o risco de multiplicar os diletantes; como se desprezássemos a inteligência, prepararíamos fanáticos. A solução está em interessarmos as paixões no verdadeiro ideal, aproveitando de suas forças, preparando-as, cultivando-as e canalizando-as para a propulsão moral.

Fonte: Monsenhor Álvaro Negromonte, no Livro "A Educação dos Filhos".