Quantas vezes estamos diante de uma bela e grandiosa ideia, sentimos que ela é digna de ser vivida - e não nos decidimos?

Falta-nos coragem, vontade. Lá está, à entrada do porto, o farol a brilhar. Não basta vê-lo. Importa decidir-se a enfrentar os mares e superar a tempestade, movido do desejo de alcançá-lo. A luz mostra o caminho, mas o homem é que decide percorrê-lo. Assim, a ideia ilumina e atrai, mas não basta à vida. Mais do que conhecer um belo ideal importa querê-lo. Se nos contentamos em olhá-lo de longe, podemos perecer de miséria moral, banhados de sua luz, como pereceria o navegante que não se movimentasse para o porto, embora iluminado pelos reflexos do farol. A ideia é necessária, mas insuficiente. O mais belo ideal da vida, que é o cristão, tem seus admiradores inativos, seus poetas que o cantam de longe, seus apologetas, seus diletantes - mais numerosos talvez do que os santos, que o realizam e vivem. Quantos recebem o ensino do ideal cristão, e não o abraçam? Conhecem a doutrina católica, e não a praticam? Nós mesmos fazemos o bem que vemos necessário? Cumprimos as resoluções que tomamos? Como Ovídio, vemos o que é melhor e o aprovamos, mas fazemos o pior. 

Fonte: Monsenhor Álvaro Negromonte, no Livro "A Educação dos Filhos".