Embora muitos colegiais de hoje não sejam capazes de situar cronologicamente a Idade Média, estão convencidos de que foi um período de ignorância, superstição e repressão intelectual. Nada mais longe da verdade, pois é à Idade Média que devemos a maior — e inigualável — contribuição intelectual da civilização ocidental para o mundo: o sistema universitário.

A Universidade foi um fenômeno completamente novo na história da Europa. Nada de parecido existira na Grécia ou na Roma antigas. A instituição que conhecemos atualmente, com as suas Faculdades, cursos, exames e títulos, assim como a distinção entre estudos secundários e superiores, chegaram-nos diretamente do mundo medieval. A Igreja Católica desenvolveu o sistema universitário porque era a única instituição na Europa que manifestava um interesse consistente pela preservação e cultivo do saber.

O papa Inocêncio IV (1243-1254) descreveu as universidades como "rios de ciência cuja água fertiliza o solo da Igreja universal", e o papa Alexandre IV (1254-1261) chamou-as "lâmpadas que iluminam a casa de Deus". E é ao apoio dados pelos papas que se devem o crescimento e o êxito do sistema universitário. Graças a essas intervenções pontifícias, o ensino superior foi capaz de expandir-se. A Igreja Católica foi sem dúvida a matriz de onde saiu a Universidade, o ninho de onde ela levantou voo.

(Texto transcrito do livro “Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental”, de THOMAS E. WOODS JR.)