HUGO GOES
A "generalização" das provas do CNU pode diluir a especialização técnica de determinados cargos, como é o caso do Técnico do Seguro Social, cargo pertencente à estrutura do INSS.
Ao agrupar cargos diferentes em um mesmo bloco, o edital do CNU foca em competências transversais (como Direito Administrativo, Ética e Diversidade) em vez de cobrar o "núcleo duro" técnico de cada função. No caso de Técnico do Seguro Social, o "núcleo duro" é Direito Previdenciário. Como um servidor do INSS vai conceder um benefício previdenciário sem dominar o Direito Previdenciário?
Se o cargo de Técnico do Seguro Social for incluído em um bloco do CNU (como o de setores sociais), o Direito Previdenciário deixará de ser o "soberano" para se tornar um dos cinco eixos temáticos.
Ao diluir o Direito Previdenciário, o CNU abre margem para que um candidato que domina muito bem Sociologia, Gestão Pública e Direito Administrativo consiga a vaga, mesmo tendo um conhecimento apenas mediano de Previdenciário.
No modelo do CNU, um profissional altamente especializado em uma área muito restrita pode perder a vaga para um "generalista de alto desempenho" que é muito bom em matérias básicas, mas tem pouco domínio prático daquela função específica.
O órgão pode receber um servidor que precisará de muito mais treinamento interno para começar a produzir, já que a prova não filtrou o conhecimento técnico prévio.
Para o INSS, isso representa um desafio prático:
- Aumento do Custo de Treinamento: O órgão terá que investir mais tempo em cursos de formação para ensinar o "beabá" da concessão de benefícios.
- Segurança Jurídica: Um servidor que não domina as nuances da legislação previdenciária pode cometer erros em análises complexas logo no início da carreira.
No modelo tradicional, como o do último concurso do INSS para Técnico do Seguro Social, realizado em 2022, o edital funciona como um "pré-treinamento". O candidato já entra na autarquia dominando a Lei 8.213/91 e o Decreto 3.048/99.

